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Propostas do PLAMUS para a mobilidade urbana na Grande Florianópolis começam a tomar forma

Grupo de Trabalho do PLAMUS reuniu-se para analisar resultados dos levantamentos e definir critérios para as melhores soluções para a mobilidade da Grande Florianópolis.
Publicado em: 09/10/2014 - Quarta-feira
Na terça-feira (30/09), o corpo técnico do PLAMUS, formado pelo consórcio LOGIT, Strategy& e Machado Meyer, por representantes das prefeituras parceiras, da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina e do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, reuniu-se na sede da SC Parcerias para discutir as premissas que nortearão a escolha de soluções para a mobilidade na Grande Florianópolis, em curto, médio e longo prazo.

O processo de definição de critérios incluiu um estudo que, partindo de uma lista ampla de prioridades proposta por especialistas do Consórcio, extraiu 16 itens que irão nortear o processo de tomada de decisão. O conjunto desses itens aponta para a priorização de objetivos como, por exemplo, medidas que maximizem a participação do transporte coletivo no conjunto de deslocamentos realizados na região, minimizando o tempo médio das viagens e expandindo a sua abrangência territorial de forma a promover a inclusão social.

Propostas preliminares
Além do debate e da definição de critérios para escolha das melhores soluções para a mobilidade na Grande Florianópolis, especialistas em diferentes setores expuseram algumas propostas preliminares. A arquiteta e urbanista Francis de Oliveira, da UFSC, apresentou opções para melhorar as condições de mobilidade para pedestres: “Temos que pensar em todos os tipos de pessoas que utilizam o espaço urbano. Não adianta, por exemplo, investir-se em um transporte coletivo acessível, com veículos perfeitamente adequados, se o percurso até ele não é igualmente acessível. Então, vamos recomendar alguns conceitos de planejamento urbano nesta direção, como o de ruas completas que integram pedestres, ciclistas e motoristas, e a Zona 30, que limita a velocidade dos veículos em ruas estreitas a 30 km/h”. As regiões centrais dos municípios maiores são os pontos ideais para iniciar as mudanças, combinando os conceitos propostos pela arquiteta. “Não queremos formular um plano que não será implantável, por isso apontamos propostas preliminares com aplicabilidade capaz de melhorar imediatamente a mobilidade da região”, definiu Francis.
Já sobre o uso de bicicletas, o arquiteto e urbanista Eduardo Leite, também da equipe da UFSC, apresentou um plano de redes cicloviárias com mais de 290 quilômetros de extensão. O projeto desenhado pela equipe técnica do PLAMUS irá propor a conexão entre diferentes setores da Grande Florianópolis, incentivando fortemente o uso da bicicleta ao oferecer segurança e conforto aos usuários. “Nas décadas de 70 e 80, a Holanda e a Alemanha tinham o mesmo problema provocado pelo excesso de carros que nós temos hoje. Atualmente, com o investimento realizado na rede cicloviária, tanto o presidente quanto o funcionário de limpeza da mesma empresa vão para o trabalho de bicicleta, porque foi criada essa opção e a população se acostumou a ela”, explica Eduardo. A pesquisa do PLAMUS mostrou que em Florianópolis as bicicletas são mais utilizadas do que na média brasileira, confirmando uma tendência para a região.


Projeto disciplina o trânsito
Diminuir a velocidade dos carros e priorizar pedestres e ciclistas são medidas que podem parecer estranhas à população. Isso porque, como explica o coordenador técnico do PLAMUS, Guilherme Medeiros, estamos acostumados com o modelo atual e é difícil, para quem não é especialista no assunto, perceber os benefícios das alterações. “A educação do motorista e do pedestre acontece em paralelo com o conceito de traffic calming, ou medidas para acalmar o trânsito, que consiste em limitar a velocidade dos veículos, estreitar os espaços, fazer travessias seguras para os pedestres, entre outras ações. Tudo isso disciplina o trânsito e o torna mais ordenado e seguro. Ou seja, o próprio projeto educa os motoristas”, define Medeiros. O gerente da área de Estruturação de Projetos do BNDES, Bruno Malburg, pensa na mesma direção: “Hoje, ninguém em Curitiba reclama do fato da Rua das Flores ser fechada para carros. Em Florianópolis também, ninguém se queixa da Rua Felipe Schmidt ser um calçadão. Na época em que essas medidas foram implementadas, no entanto, as pessoas reclamaram. É comum alguém sentir-se incomodado a princípio. Mas a população como um todo é rapidamente beneficiada e responde a isso aderindo naturalmente”.


Transporte Público e hierarquização das ruas
Outro tema debatido na reunião foi a qualificação do sistema de transporte público. Estão sendo avaliados e serão comparados os principais sistemas que podem vir a ser aplicados na Grande Florianópolis, dentre estes a implantação de BRT, VLT (ou monotrilho), ou mesmo metrô. Os estudos para avaliação da viabilidade de implantação de uma rede de BRT (Bus Rapid Transit), o corredor exclusivo para ônibus com abrangência metropolitana estão ganhando forma. Especialistas do PLAMUS indicam que, no caso da região continental, este seria um meio de promover o desenvolvimento, conectando os bairros e localidades mais afastadas. O BRT também diminuiria a concentração de viagens para o TICEN, desobrigando os moradores do continente a viajarem até a Ilha para trocar de ônibus quando desejam ir para outro ponto do próprio continente. Estudos realizados pelo PLAMUS indicam que o sistema BRT economizaria pelo menos 11 milhões de horas por ano, em comparação com o tempo gasto pelos usuários do transporte coletivo atualmente. Os demais sistemas possíveis também estão sendo avaliados, de modo a apresentar um estudo comparativo de custo e benefícios de implantação de diferentes tecnologias, visando subsidiar a tomada de decisão.
O Transporte Aquaviário também está sendo estudado. No mês de setembro, os especialistas da equipe realizaram um levantamento na Ilha de Santa Catarina e no Continente, identificando os pontos possíveis de receberem atracadouros para a implantação deste tipo de transporte. Estes pontos foram localizados e caracterizados, e estas informações estão sendo cruzadas com os dados de demanda levantados por meio das pesquisas já realizadas. Dessa forma, será possível avaliar as rotas potencialmente prioritárias para implantação e assim estudar com mais detalhes a sua viabilidade econômica.
Finalizando a rodada de discussões e apresentações de resultados, foi apresentada uma proposta de hierarquização das ruas de Florianópolis, de acordo com suas relevâncias geográficas e volume de tráfego. Especialista em modelagem de transportes e consultor da LOGIT, Davi Escalante Sanchez ilustrou exemplos de aplicação para o modelo: “há avenidas arteriais em Florianópolis que cumprem funções de acesso a prédios, impedindo o fluxo normal de veículos e travando o trânsito em vários trechos. Por outro lado, há ruas sem capacidade para suportar o alto volume de tráfego vigente que funcionam como ligações interzonais de grande importância”. Para minimizar esse desequilíbrio, algumas das soluções em curto prazo indicadas podem passar pela mudança de sentido de algumas vias, em horários de pico, e no investimento em sistemas semafóricos e sinalização. Intervenções físicas nas ruas e calçadas, como o alargamento de algumas vias e a criação de novas, seriam medidas em médio e em longo prazo. David também apresentou alguns gargalos já identificados no sistema viário, e algumas proposições de intervenções relativamente simples para minimizar os problemas enfrentados nestes pontos.